Toda a minha trajetória pelo autoconhecimento começou por um único motivo: eu não aguentava mais ter ansiedade e enxaquecas.
Houve um dia em que eu me sentei na cama e gritei: “Meu Deus eu não aguento mais morar dentro de mim!” tudo por causa da avalanche de pensamentos que me afogavam naquele momento.
Não era possível viver daquele jeito, eu pensava que tinha que estudar mais, que tinha que tirar meu irmão do buraco, salvar meu pai dos sonhos que ele tinha que o fazia gastar todo o dinheiro e nunca concretizar nada, do mau humor da minha mãe e das brigas constantes com os vizinhos e eu que tinha que ir pedir desculpas.
Tudo foi acabando quando eu parei com a arrogância de achar que eu podia resolver a vida deles.
Primeiro eles não queriam a minha ajuda para mudar, eles só queriam que eu estivesse lá resolvendo os problemas resultantes das ações deles; segundo ninguém muda ninguém.
Tudo melhorou quando eu comecei a dizer: Eu não sei resolver isso e eu não posso resolver isso, é com vocês. Eu estava falando com pessoas adultas orientadas que gozavam de vigor físico e muita saúde, é preciso esclarecer isso. Qualquer outro problema envolvendo saúde eu nunca filtro, só atendo.
Quando comecei a lei o livro Não Acredite em Tudo Que Você Pensa eu ainda tinha pensamentos intrusivos, mas já tinha conseguido vencer as exigências sociais que diziam que uma pessoa da família tem obrigação por toda ela mesma quando estamos falando de uma família capaz, orientada com péssimas escolhas.
Quantas vezes você já sofreu por algo que ainda nem aconteceu?
Uma conversa que você imaginou. Um problema que talvez nunca exista. Uma preocupação que cresceu silenciosamente dentro da sua mente até parecer uma verdade absoluta.
É sobre esse mecanismo tão humano que fala o livro Não Acredite em Tudo o Que Você Pensa, de Joseph Nguyen.
O que é ideia e o que é pensamento
Um dos pontos mais interessantes apresentados por Joseph Nguyen é a diferença entre o que ele chama de ideia ou inspiração e pensamento. Para o autor, as ideias surgem espontaneamente, de um espaço de criatividade, intuição e consciência, sem que precisemos fazer esforço para produzi-las. Já o pensamento acontece quando começamos a analisar, interpretar e criar histórias em torno daquilo que surgiu.
Uma ideia pode aparecer de forma simples e natural; o sofrimento começa quando a mente passa a questioná-la, antecipar problemas, imaginar cenários e tentar controlar todas as possibilidades. Essa distinção nos convida a perceber que nem toda resposta precisa nascer do excesso de análise: muitas vezes, quando diminuímos o ruído mental, criamos espaço para a clareza, a criatividade e a inspiração. De todo o livro essa parte foi a que mais me impactou.
Pensar não é o problema
Pensar faz parte da natureza humana. É graças à nossa capacidade de reflexão que planejamos, aprendemos, criamos e tomamos decisões.
O problema começa quando não conseguimos mais distinguir um pensamento de um fato.
“Não vou conseguir.”
“Alguma coisa ruim vai acontecer.”
“Eu deveria estar mais longe na vida.”
“Todo mundo está melhor do que eu.”
“E se der errado?”
Quando repetidos constantemente, esses pensamentos começam a influenciar nossas emoções, nossas escolhas e a maneira como enxergamos a própria vida.
A mente cria uma história. Nós acreditamos nela. E, então, passamos a sofrer como se aquela história fosse realidade, e nunca é.
Nem todo pensamento merece a sua atenção
Uma das reflexões mais interessantes do livro é justamente a possibilidade de observar os pensamentos sem necessariamente acreditar em todos eles.
Imagine quantos pensamentos passam pela nossa mente ao longo de um único dia.
Alguns são úteis.
Outros são apenas preocupações, comparações, lembranças, medos e interpretações.
Ainda assim, temos o hábito de tratar cada pensamento como se fosse uma verdade que precisa ser analisada, resolvida ou combatida.
Mas e se não precisássemos fazer isso?
E se pudéssemos simplesmente perceber:
“Isso é apenas um pensamento.”
Essa pequena mudança de perspectiva pode criar um espaço importante entre aquilo que pensamos e a maneira como escolhemos agir.
Você não precisa resolver todos os pensamentos que aparecem
Existe uma ideia muito presente na nossa sociedade de que precisamos entender absolutamente tudo.
Por que estou pensando assim?
Por que estou sentindo isso?
O que isso significa?
Como faço para eliminar esse pensamento?
Mas algumas vezes, quanto mais tentamos encontrar respostas, mais presos ficamos dentro da própria mente.
Nem todo pensamento precisa ser investigado.
Nem toda preocupação precisa ser alimentada.
Nem todo medo precisa determinar uma escolha.
Podemos aprender a observar o que acontece dentro de nós sem permitir que cada pensamento assuma o controle da nossa vida.
Uma reflexão sobre leveza
Talvez viver com mais leveza não signifique ter uma mente completamente silenciosa.
Talvez signifique apenas aprender a não seguir todos os caminhos para os quais nossos pensamentos tentam nos levar.
Podemos sentir medo e continuar.
Podemos ter dúvidas e ainda assim tomar decisões.
Podemos imaginar que algo dará errado e escolher tentar.
Podemos perceber um pensamento negativo sem transformá-lo em uma definição sobre quem somos ou sobre o futuro que nos espera.
Existe uma enorme liberdade em compreender que somos capazes de escolher quais pensamentos merecem nossa atenção.
Vale a pena ler?
Não Acredite em Tudo o Que Você Pensa é uma leitura curta, simples e provocadora.
É especialmente interessante para quem percebe que passa muito tempo preocupado com o futuro, revivendo situações do passado, criando cenários negativos ou tentando encontrar respostas para absolutamente tudo.
Mais do que oferecer fórmulas prontas, o livro nos convida a observar nossa relação com a própria mente.
E talvez essa seja uma reflexão importante para todos nós.
Porque uma boa vida não depende de controlar cada pensamento que aparece.
Depende também de aprender a reconhecer que nem tudo o que passa pela nossa mente precisa se transformar em verdade, preocupação ou sofrimento.
Às vezes, o pensamento pode simplesmente passar.
E nós podemos continuar vivendo.
Uma Boa Vida é construída com um passo de cada vez.
