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	<title>dívidas Archives - Márcia Lasmar</title>
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	<description>Uma Vida com Sentido</description>
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		<title>82% das famílias brasileiras estão endividadas &#8211; cartão de crédito lidera as dívidas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Márcia Lasmar]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 15:05:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisa da CNC mostra que 85,3% das famílias endividadas têm compromissos no cartão de crédito. Em média, dívidas já comprometem 29,5% do orçamento familiar. O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde. Em julho de 2026, 82% das famílias do país tinham algum tipo de dívida, segundo a Pesquisa...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2>Pesquisa da CNC mostra que 85,3% das famílias endividadas têm compromissos no cartão de crédito. Em média, dívidas já comprometem 29,5% do orçamento familiar.</h2>
<p>O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde. Em julho de 2026, <strong>82% das famílias do país tinham algum tipo de dívida</strong>, segundo a <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-08/cnc-endividamento-das-familias-sobe-para-82-mas-inadimplencia-cai?utm_source=chatgpt.com">Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic)</a>, divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).</p>
<p>É o maior percentual já registrado pela pesquisa e o sexto mês consecutivo de recorde.</p>
<p>Em junho, 81,6% das famílias estavam endividadas. Em julho de 2025, eram 78,5%.</p>
<p>Os números ajudam a dimensionar quanto o crédito passou a fazer parte do orçamento doméstico brasileiro. A Peic considera compromissos como cartão de crédito, cheque especial, carnês, crédito consignado, empréstimos pessoais e prestações de imóveis e veículos.</p>
<p>A pesquisa é realizada mensalmente com cerca de <strong>18 mil famílias em todo o país</strong>.</p>
<p>Mas um dado chama especialmente a atenção: <strong>o cartão de crédito aparece em 85,3% das famílias endividadas</strong>.</p>
<p>Depois dele vêm os carnês, presentes em 16,1% dos casos, e o crédito pessoal, com 13%. Também aparecem financiamento de casa (9,6%), financiamento de veículos (9%), crédito consignado (7,1%) e cheque especial (3,4%).</p>
<p>Os percentuais não precisam somar 100%, porque uma mesma família pode possuir mais de um tipo de dívida.</p>
<h3>Estar endividado não significa estar inadimplente</h3>
<p>Essa diferença é fundamental para compreender os números.</p>
<p>Uma família que compra um eletrodoméstico em dez parcelas no cartão, financia um automóvel ou possui um empréstimo está tecnicamente endividada, mesmo que pague rigorosamente todas as prestações em dia.</p>
<p>A inadimplência ocorre quando existem contas vencidas que não foram pagas.</p>
<p>Em julho, <strong>29,8% das famílias brasileiras declararam ter dívidas em atraso</strong>, uma pequena redução em relação aos 29,9% registrados em junho.</p>
<p>Portanto, o recorde de 82% não significa que oito em cada dez famílias estejam com o “nome sujo”.</p>
<p>Significa que oito em cada dez possuem algum compromisso financeiro a vencer.</p>
<p>Ainda assim, existe outro número que merece atenção: <strong>as famílias endividadas comprometem, em média, 29,5% do orçamento com essas obrigações</strong>.</p>
<p>Isso significa que quase três de cada dez reais do orçamento dessas famílias já têm destino antes de serem utilizados para outras necessidades.</p>
<h2>O cartão de crédito está no centro do endividamento</h2>
<p>O cartão de crédito não é, por si só, um vilão.</p>
<p>Quando a fatura é paga integralmente e as compras estão previstas no orçamento, ele pode funcionar apenas como um meio de pagamento.</p>
<p>O problema começa quando o limite disponível passa a ser confundido com renda.</p>
<p>Uma compra de R$ 2.400 pode parecer cara.</p>
<p>Doze parcelas de R$ 200 parecem muito mais acessíveis.</p>
<p>Depois surge outra parcela de R$ 150.</p>
<p>Mais uma de R$ 89.</p>
<p>Outra de R$ 120.</p>
<p>Individualmente, todas parecem caber.</p>
<p>Mas as parcelas se acumulam e começam a comprometer a renda dos meses seguintes.</p>
<p>É assim que decisões aparentemente pequenas tomadas no passado passam a disputar espaço com o salário do presente.</p>
<p>E o cenário se torna ainda mais delicado quando a família não consegue pagar integralmente a fatura e precisa recorrer a modalidades de crédito mais caras.</p>
<p>O ambiente de juros elevados torna essa situação ainda mais preocupante. Em junho de 2026, a taxa média do crédito livre para pessoas físicas chegou a <strong>64% ao ano</strong>, segundo dados do Banco Central.</p>
<h2>O endividamento pesa mais entre as famílias de menor renda</h2>
<p>A Peic também revela uma desigualdade importante.</p>
<p>Entre as famílias que recebem <strong>até três salários mínimos</strong>, 84,9% estavam endividadas em julho.</p>
<p>Nas famílias com renda superior a dez salários mínimos, o percentual era de 72%.</p>
<p>A diferença fica ainda maior quando observamos a inadimplência.</p>
<p>Entre as famílias de menor renda, <strong>38,5% tinham contas atrasadas</strong>. Entre aquelas com renda superior a dez salários mínimos, eram 15,1%.</p>
<p>A explicação é relativamente simples: quanto menor a renda, menor a margem para absorver imprevistos.</p>
<p>Uma despesa médica, um problema no carro, uma redução de renda ou até mesmo o aumento de gastos essenciais pode desequilibrar completamente um orçamento que já funciona no limite.</p>
<h2>Como saber se a dívida virou um problema?</h2>
<p>Ter dívidas não significa necessariamente estar financeiramente desorganizado.</p>
<p>A pergunta mais importante é:</p>
<p><strong>quanto da sua renda já pertence às parcelas?</strong></p>
<p>Existem alguns sinais de alerta:</p>
<ul>
<li>usar o cartão para completar despesas básicas do mês;</li>
<li>pagar apenas parte da fatura;</li>
<li>contratar um empréstimo para pagar outro;</li>
<li>atrasar contas essenciais para pagar parcelas;</li>
<li>não saber exatamente quanto deve;</li>
<li>comprometer renda futura continuamente com novas compras;</li>
<li>depender do limite do cartão ou do cheque especial para chegar ao fim do mês.</li>
</ul>
<p>Quando isso acontece, o problema já não está apenas no tamanho da dívida.</p>
<p>Está na estrutura do orçamento.</p>
<h2>Primeiro passo: descubra exatamente quanto você deve</h2>
<p>Quando as dívidas se acumulam, existe uma tendência bastante humana de evitar os números.</p>
<p>A pessoa sabe que deve, mas não sabe exatamente quanto.</p>
<p>Não abre todas as faturas.</p>
<p>Não soma os empréstimos.</p>
<p>Não verifica os juros.</p>
<p>Não calcula quantos meses ainda faltam.</p>
<p>Só que <strong>não existe organização financeira sem realidade financeira</strong>.</p>
<p>Faça uma lista completa contendo:</p>
<ul>
<li>credor;</li>
<li>saldo devedor;</li>
<li>valor da parcela;</li>
<li>número de parcelas restantes;</li>
<li>taxa de juros;</li>
<li>vencimento;</li>
<li>pagamentos atrasados.</li>
</ul>
<p>Depois, some tudo.</p>
<p>O número pode ser desconfortável.</p>
<p>Mas existe uma diferença enorme entre pensar:</p>
<p><strong>“Minha vida financeira está um caos.”</strong></p>
<p>e saber:</p>
<p><strong>“Eu devo R$ 18 mil e preciso construir uma estratégia para pagar.”</strong></p>
<p>Quando o problema ganha número, ele também começa a ganhar solução.</p>
<h2>Segundo passo: pare de criar novas dívidas</h2>
<p>Imagine tentar esvaziar uma banheira enquanto a torneira continua aberta.</p>
<p>É exatamente o que acontece quando alguém tenta quitar dívidas enquanto continua gastando acima da renda.</p>
<p>Durante algum tempo, talvez seja necessário reduzir limites do cartão, suspender novas compras parceladas, rever assinaturas, diminuir despesas não essenciais e adiar alguns desejos.</p>
<p>Não como punição.</p>
<p>Como estratégia.</p>
<p>Antes de pagar mais rápido, é preciso impedir que a dívida continue crescendo.</p>
<h2>Terceiro passo: ataque primeiro as dívidas mais caras</h2>
<p>Nem toda dívida custa a mesma coisa.</p>
<p>Por isso, descubra quanto você está pagando de juros em cada uma.</p>
<p>Cartão, cheque especial e determinadas modalidades de crédito pessoal podem ter custos muito superiores aos de financiamentos de longo prazo.</p>
<p>Procure os credores.</p>
<p>Negocie.</p>
<p>Peça propostas para pagamento à vista e parcelado.</p>
<p>Compare o <strong>Custo Efetivo Total (CET)</strong>, e não apenas o valor da prestação.</p>
<p>Em algumas situações, trocar uma dívida muito cara por outra de juros menores pode fazer sentido.</p>
<p>Mas há uma condição fundamental:</p>
<p><strong>a nova dívida precisa substituir a antiga — e não se somar a ela.</strong></p>
<p>Pegar um empréstimo para quitar o cartão e depois voltar a usar o limite como antes apenas reinicia o ciclo.</p>
<h2>É necessário viver temporariamente um degrau abaixo</h2>
<p>Essa é uma das partes mais difíceis da reorganização financeira.</p>
<p>Se uma parcela importante da renda já está comprometida com decisões tomadas no passado, talvez o padrão de consumo atual precise ser reduzido por algum tempo.</p>
<p>Menos compras.</p>
<p>Menos delivery.</p>
<p>Menos assinaturas.</p>
<p>Menos parcelamentos.</p>
<p>Talvez férias mais simples.</p>
<p>Talvez adiar a troca do carro.</p>
<p>Talvez continuar mais algum tempo com aquilo que ainda funciona.</p>
<p>Não significa viver em privação para sempre.</p>
<p>Significa abrir espaço no orçamento para recuperar aquilo que a dívida reduz: <strong>a liberdade de escolha</strong>.</p>
<h2>Mas cortar despesas também tem limite</h2>
<p>Nem todo problema financeiro se resolve economizando.</p>
<p>Quando o orçamento já foi reduzido ao necessário, é preciso trabalhar a outra parte da equação:</p>
<p><strong>aumentar a renda.</strong></p>
<p>Horas extras, trabalhos temporários, prestação de serviços, venda de objetos sem uso ou alguma atividade paralela podem acelerar a saída das dívidas.</p>
<p>O importante é que essa renda adicional tenha destino.</p>
<p>Se todo aumento de renda provocar imediatamente aumento do padrão de consumo, o problema continuará.</p>
<h2>Depois da última dívida, construa uma reserva</h2>
<p>Quitar a última parcela é uma conquista.</p>
<p>Mas não deveria ser o final da reorganização.</p>
<p>O próximo passo é construir uma <strong>reserva para imprevistos</strong>.</p>
<p>Sem ela, qualquer problema inesperado pode levar novamente ao cartão ou ao empréstimo.</p>
<p>A reserva cria uma distância importante entre o imprevisto e a dívida.</p>
<p>Só depois começa uma nova etapa: planejamento, investimentos e construção de patrimônio.</p>
<h2>A matemática resolve a dívida. O comportamento impede que ela volte.</h2>
<p>Existe ainda uma pergunta que nenhuma planilha consegue responder:</p>
<p><strong>por que você gasta como gasta?</strong></p>
<p>Algumas pessoas compram quando estão ansiosas.</p>
<p>Outras usam o consumo como recompensa.</p>
<p>Há quem aumente imediatamente o padrão de vida quando começa a ganhar mais.</p>
<p>Há quem tenha dificuldade de dizer não à família.</p>
<p>E existe quem sustente, por meio do crédito, um padrão de vida que a própria renda não consegue financiar.</p>
<p>Se o comportamento que produziu o endividamento continuar igual, é possível quitar as dívidas e voltar a acumulá-las alguns anos depois.</p>
<p>Por isso, educação financeira não é apenas matemática.</p>
<p>Também é comportamento.</p>
<h2>Sair das dívidas é recuperar liberdade</h2>
<p>Quando a vida financeira começa a entrar em ordem, algo muda aos poucos.</p>
<p>Uma parcela termina.</p>
<p>Depois outra.</p>
<p>A fatura diminui.</p>
<p>Parte do salário deixa de estar comprometida antes mesmo de chegar.</p>
<p>Surge uma reserva.</p>
<p>E, pouco a pouco, as escolhas voltam.</p>
<p>Você pode esperar para comprar.</p>
<p>Pode atravessar um imprevisto sem recorrer imediatamente ao crédito.</p>
<p>Pode planejar.</p>
<p>Pode dizer não.</p>
<p>Pode decidir para onde o seu dinheiro irá antes que os boletos decidam por você.</p>
<p>Talvez seja essa a parte mais importante de colocar as contas em ordem.</p>
<p><strong>Sair das dívidas não é apenas recuperar dinheiro. É recuperar liberdade.</strong></p>
<p>E prosperidade começa justamente aí: quando o dinheiro deixa de tirar a nossa paz e passa a ajudar a construir a vida que queremos viver.</p>
<p>&nbsp;</p>
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