Márcia Lasmar
Saúde e Longevidade

Medicamento sem hormônios traz qualidade de vida para mulheres que enfrentam os calores da menopausa após o câncer de mama

Por muitos anos, milhares de mulheres que venceram o câncer de mama tiveram que conviver com um dilema difícil: controlar os intensos calores da menopausa ou evitar qualquer tratamento hormonal que pudesse aumentar riscos relacionados ao câncer.

Agora, uma boa notícia começa a mudar essa realidade.

A Anvisa aprovou recentemente no Brasil o Veoza® (fezolinetanto), um medicamento inovador que reduz os fogachos da menopausa sem utilizar hormônios. A novidade representa um avanço importante, especialmente para mulheres que tiveram câncer de mama hormônio-dependente e fazem uso de medicamentos como o anastrozol, letrozol ou exemestano.

Por que os calores acontecem?

Os famosos fogachos, também conhecidos como ondas de calor, surgem porque a queda do estrogênio interfere no funcionamento do hipotálamo, região do cérebro responsável por regular a temperatura corporal.

O resultado pode ser bastante desconfortável:

  • ondas intensas de calor;
  • suor excessivo, principalmente durante a noite;
  • dificuldade para dormir;
  • despertares frequentes;
  • cansaço durante o dia;
  • piora da qualidade de vida.

Para muitas mulheres, esses sintomas persistem por anos e podem ser ainda mais intensos quando a menopausa é induzida pelo tratamento contra o câncer.

Como o novo medicamento funciona?

O diferencial do fezolinetanto é justamente não agir sobre os hormônios.

Em vez de repor estrogênio, ele atua diretamente no cérebro, bloqueando os receptores chamados NK3, envolvidos no mecanismo que desencadeia os fogachos.

Na prática, ele ajuda o organismo a recuperar o controle da temperatura corporal sem alterar os níveis hormonais.

Isso faz do medicamento uma alternativa promissora para mulheres que não podem fazer reposição hormonal.

O que os estudos mostraram?

Os estudos clínicos demonstraram resultados bastante animadores.

As pacientes apresentaram redução significativa tanto da frequência quanto da intensidade dos fogachos, além de melhora na qualidade do sono e no bem-estar geral.

Muitas mulheres perceberam melhora já nas primeiras semanas de tratamento.

E quem teve câncer de mama pode usar?

Essa é justamente uma das maiores expectativas em relação ao novo medicamento.

Embora ele não contenha hormônios, a indicação para mulheres que tiveram câncer de mama deve sempre ser individualizada e discutida com o oncologista.

Especialistas consideram o fezolinetanto uma alternativa muito promissora para pacientes que convivem diariamente com os efeitos da menopausa induzida pelo tratamento oncológico, e estudos específicos nessa população continuam em andamento.

Existem cuidados?

Como qualquer medicamento, o fezolinetanto também exige acompanhamento médico.

O principal cuidado está relacionado ao fígado. Antes do início do tratamento, normalmente são solicitados exames de função hepática, que podem ser repetidos nos primeiros meses para garantir a segurança da paciente.

Uma conquista para a qualidade de vida

Os avanços no tratamento do câncer permitiram que cada vez mais mulheres superassem a doença e retomassem suas vidas. Agora, o desafio também é garantir qualidade de vida durante essa nova fase.

A chegada de um medicamento não hormonal para controlar os calores da menopausa representa exatamente isso: um cuidado que vai além da cura, olhando para o conforto, o sono, o bem-estar e a dignidade de quem já enfrentou uma longa jornada.

Para muitas mulheres, essa aprovação significa algo simples, mas extremamente valioso: a possibilidade de dormir melhor, trabalhar com mais disposição, sentir-se confortável novamente e viver essa etapa da vida com mais tranquilidade.